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Com aumento dos casos de covid, 68% dos japoneses duvidam da segurança dos Jogos

Em meio a uma nova onda de infecções por coronavírus - impulsionada pela variante Delta -, 68% da população japonesa não acredita na capacidade do país realizar a Olimpíada com a segurança sanitária necessária.

19/07/2021 08h22
Por: Nunes
 Foto: Ricardo Borges/Folhapress
Foto: Ricardo Borges/Folhapress

Em meio a uma nova onda de infecções por coronavírus - impulsionada pela variante Delta -, 68% da população japonesa não acredita na capacidade do país realizar a Olimpíada com a segurança sanitária necessária. A pesquisa foi publicada pelo jornal The Asahi Shimbun, um dos mais importantes do Japão, a quatro dias antes da cerimônia de abertura em Tóquio.

Ainda de acordo com a publicação, mais da metade das 1.444 pessoas entrevistadas por telefone disseram concordar com a decisão do Comitê Olímpico Internacional (COI) e do Comitê Organizador de vetar o público em todas as arenas da capital japonesa. Em número expressivo, 55% afirmaram, ainda, que se opõem à realização dos Jogos.

Às vésperas do início da Tóquio-2020, adiada em um ano por causa da pandemia, o avanço da covid-19 no Japão nas últimas semanas fez crescer a preocupação dos japoneses em sediar um evento com dezenas de milhares de atletas e jornalistas estrangeiros. Entretanto, o presidente do COI, Thomas Bach, espera que a população do país asiático se entusiasme com os Jogos assim que a competição começar, na sexta-feira.

Neste domingo, os organizadores da Olimpíada confirmaram o primeiro caso positivo de covid-19 na Vila Olímpica, onde 11 mil atletas ficarão concentrados durante a competição. O paciente é um estrangeiro envolvido na organização do evento esportivo.

Menos de 24 horas depois, seis atletas britânicos de atletismo e dois membros da equipe foram forçados a se isolar após um passageiro do voo que tomaram para o Japão testar positivo para covid.

Os casos acenderam um alerta sobre o risco de um surto do vírus entre os atletas, o que poderia causar estragos esportivos. Com a necessidade de isolamento, os competidores infectados ficariam incapazes de competir. Os oficiais olímpicos e organizadores de eventos individuais possuem protocolos de contingência para lidar com infecções durante o torneio.

"Muitos atletas podem fazer festas ou cerimônias antes de ir para Tóquio, onde pode haver aplausos ou saudações. Portanto, eles também podem correr o risco de serem infectados em seus próprios países", disse Koji Wada, professor da Universidade Internacional de Saúde e Bem-estar e um consultor sobre a resposta do governo ao coronavírus.

NOVA ONDA - O aumento de casos de covid-19 em Tóquio vem após a onda mais letal da doença, em janeiro deste ano. No sábado, a capital registrou 1.410 mortes pela doença, número recorde desde o início de 2021, e as novas infecções ultrapassaram a marca de mil pelo quinto dia consecutivo.

Com boa parte da população idosa já vacinada, a maioria dos novos casos surgem entre os mais jovens. No total, 32% dos japoneses já foram imunizados contra o coronavírus até o momento

Nesta segunda-feira, Tóquio impôs restrições ao tráfego rodoviário, designando faixas reservadas para oficiais olímpicos, atletas e jornalistas que circulam pela capital. As autoridades também aumentaram as tarifas de pedágio em 1.000 ienes (cerca de R$ 45) para veículos particulares em uma tentativa de reduzir o trânsito durante os Jogos.

 

Monitora 21 pessoas suspeitas

O Comitê Organizador Local da Olimpíada de Tóquio confirmou que 21 pessoas, atletas em sua maioria, tiveram contato direto com os jogadores da África do Sul que testaram positivo para o novo coronavírus. Seguindo o protocolo de contenção de surtos da doença, essas pessoas foram isoladas. Elas devem permanecer em seus quartos sozinhos, com transporte exclusivo para as áreas de treinamento e competição, além da realização diária de testes PCR.

Ao todo, de acordo com Masa Takaya, porta-voz do Comitê, até esta segunda-feira, foram totalizados cerca de 60 casos positivos de covid-19 em pessoas relacionadas aos Jogos. A maioria delas é residente no país asiático. Na Vila Olímpica, há três casos identificados na delegação sul-africana.

"Sobre a participação da equipe da África do Sul o que posso dizer é que temos protocolos rigorosos, medidas adicionais vão ser implementadas. Os atletas que tiveram contato direto fazem testes diários. PCRs foram feitos no domingo e todos deram negativos, mas vão repetir os PCRs diariamente", informou Masa Takaya, que também explicou o procedimento para as delegações antes de atuarem nos Jogos.

"Gostaria de acrescentar também que, antes dos treinos e das competições, seis horas antes, um novo teste PCR deverá ser realizado pelos atletas. Se o resultado for negativo, os atletas poderão participar da competição. Essas são as regras rigorosas que aplicamos. Graças a essas medidas, poderemos saber quem poderá participar das competições", afirmou.

Antes da cerimônia de abertura da Olimpíada, que acontece no dia 23, algumas modalidades já iniciam suas partidas. Nesta terça-feira, as donas da casa enfrentam a Austrália pelo torneio de softbol. Na madrugada de quarta-feira também tem início a participação do futebol feminino. A seleção brasileira enfrenta a China, às 5h.

 

 

Fonte: Estadão Conteúdo

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