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Artigo Afeganistão

O CAÇADOR DE PIPAS

O Afeganistão ontem e hoje

17/08/2021 às 14h35 Atualizada em 17/08/2021 às 15h56
Por: Nayara Negreiros
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Foto montagem: Layanne Oliveira/ Jornal do Advogado
Foto montagem: Layanne Oliveira/ Jornal do Advogado

Era verão e o sol raiava forte em Teresina naquele outubro de 2007, quando li uma das obras mais sensacionais de Khaled Hosseini, O caçador de pipas.

Recém-chegada do litoral, onde morei boa parte da minha vida, trouxera na mala sonhos de uma vida melhor na capital piauiense. E, numa tarde, sentei-me à cama para conhecer essa obra.

Era jovem demais para compreender questões geopolíticas, mas as aventuras de Amir e Hassan passavam como um filme em minha mente. E um pouco mais tarde, o livro ganhava sua adaptação para o cinema. Confesso que bem diferente daquele que se desenhou nas minhas imaginações.

Mas o que ficou foram as fortes cenas narradas e que se passavam na capital afegã, Cabul. Este nome, para mim, marcava o livro inteiro. As competições de pipas disputadas entre os mais afortunados, mantinham aqueles que viviam em escassez participando como “auxiliares. Duas classes opostas que se encontravam e que Khaled nos convida a conhecer através dos olhos de Amir, narrador principal.

Muito mais que um romance, Khaled traz ao Ocidente um pouco da história do povo Afegão. Quando o Talibã toma Cabul e outras regiões, Amir e seu pai fogem por causa da crise política, bombardeios, morte nas calçadas e a perseguição imperava.

Não lembrava de ter lido um livro tão bom nos últimos anos, naquela época. Tão bom que ao receber a notícia da nova crise no Afeganistão, imediatamente me veio à mente aquela tarde em que as lágrimas escorreram por todo o rosto à medida em que avançava na leitura.

As cenas de terror narradas com tanta propriedade, como a viagem realizada dentro de um caminhão de combustível, não são só chocantes, mas nos coloca de joelhos frente ao desespero humano.

Quisera ter sido só nas páginas de um livro! Infelizmente, o romance descrevera acontecimentos históricos do povo afegão e que agora, ao ligar a TV em pleno agosto de 2021, não há sensação maior de dèja vu.

E as cenas reais são piores do que as literárias: pessoas agarrando-se às engrenagens do avião que partia de Cabul rumo à salvação, são arremessadas atmosfera abaixo. Cotoveladas, empurrões e muita correria só escancaram a covardia humana.

Professores se despedindo de suas alunas. Alunas estas que conseguiram estudar graças à luta e militância de ativistas como Malala Yousafzai. Impossível olvidar Simone de Beauvoir, que já afirmava, no século XX: basta uma crise política, econômica ou religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados. 

Com a operação de retirada das tropas norte-americanas, após 20 anos de operações militares no Afeganistão, tomou lugar a instabilidade política e o fortalecimento da milícia dos talibãs.

Após 2001, em reflexo ao ataque às Torres Gêmeas, no inesquecível 11 de setembro, que matou mais de 3 mil pessoas em Nova York, o então presidente, George W. Bush, deu início à chamada guerra ao terror, em outubro daquele mesmo ano.

Agora, em maio de 2021, o atual presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, deu início à operação de retorno de suas tropas até o emblemático 11 de setembro, mas com o avanço do Talibã em importantes cidades afegãs, essa operação fora adiantada para agosto.

Entretanto, nos últimos dias, o mundo vem assistindo o Talibã tomando todo o território, com a invasão à capital Cabul, ocasionando a retirada do presidente Ashraf Ghani.

Agora, as lágrimas não borram mais as páginas de um livro. A lágrimas secam ao vento, levadas com a sensação de impotência e lamento.

Uma nova crise migratória e de refugiados se desenha para os próximos meses. Há rumores de esperança por novos posicionamentos do grupo islâmico, mas quando a fama do interlocutor o precede, é possível confiar?

Os organismos internacionais foram acionados. Ativistas e entidades já clamam por piedade.

Longe de ser pessimista, resta-nos: E agora, quem poderá defendê-los?

 

 

 

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