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Jurídico Flordelis

Tribunal do Júri de Niterói condena dois filhos de Flordelis por morte de pastor

O Tribunal do Júri de Niterói condenou, nesta quarta-feira (24/11), dois filhos da ex-deputada federal Flordelis pelo homicídio do pastor Anderson do Carmo de Souza, marido da ex-parlamentar.

25/11/2021 às 08h24
Por: Nunes
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 Flordelis também responderá pelo homicídio de Anderson do Carmo Cleia Viana/Câmara dos Deputados
Flordelis também responderá pelo homicídio de Anderson do Carmo Cleia Viana/Câmara dos Deputados

O Tribunal do Júri de Niterói condenou, nesta quarta-feira (24/11), dois filhos da ex-deputada federal Flordelis pelo homicídio do pastor Anderson do Carmo de Souza, marido da ex-parlamentar.

Flávio dos Santos Rodrigues, filho biológico de Flordelis, foi condenado a 33 anos, 2 meses e 20 dias de reclusão em regime inicialmente fechado por homicídio triplamente qualificado consumado, porte ilegal de arma de fogo, uso de documento ideologicamente falso e associação criminosa armada. Ele foi denunciado como autor dos disparos de arma de fogo que provocaram a morte de Anderson do Carmo no dia 16 de junho de 2019.

Na mesma sessão de julgamento, Lucas Cezar dos Santos de Souza, filho adotivo de Flordelis, foi condenado por homicídio triplamente qualificado a sete anos e seis meses de prisão em regime inicialmente fechado. Ele foi acusado de ter sido o responsável por adquirir a arma usada no assassinato do pastor.

O júri, presidido pela juíza Nearis dos Santos de Carvalho Arce, titular da 3ª Vara Criminal de Niterói, teve mais de 15 horas de duração, tendo começado pouco depois das 14h da terça (23/11) e terminado por volta das 5h30 desta quarta (24/11).

Flordelis também será julgada pelo Tribunal de Júri de Niterói pelo homicídio de Anderson do Carmo.

 

Oito testemunhas

Após abrir a sessão e ler as denúncias contra os réus, a juíza Nearis dos Santos de Carvalho Arce, deu início aos depoimentos das testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa.

A primeira testemunha a depor foi a delegada Bárbara Bueno. Ela disse que a investigação apontou que, antes das eleições da ex-deputada, já havia tentativas de assassinar o pastor por envenenamento. "Ele passou por diversos atendimentos médicos e chegou a ser internado no hospital. Aqueles que estão ligados a esse homicídio são os familiares mais próximos à Flordelis. São pessoas muito vulneráveis, que tinham relação de dependência em relação a ela e desentendimentos com a vítima".

Em seguida foi a vez do depoimento do delegado Alan Duarte. "A partir de conversas extraídas dos celulares, podemos afirmar que se trata de uma organização criminal familiar. Flordelis manipulou, mentiu e ocultou provas. Havia um racha na família, com diferença de tratamento entre filhos biológicos e adotivos. O pastor comandava a família de forma rígida e geria a parte financeira, o que gerava descontentamento nos ligados à Flordelis".

Wagner Pimenta, o Misael, filho afetivo de Flordelis, foi a terceira testemunha ouvida. Ele contou que foi adotado aos 12 anos e que morou por mais de 30 anos na casa da família. Wagner disse que, após a morte do pastor, Flordelis teria escrito em um caderno que havia quebrado o celular de Anderson do Carmo e jogado da Ponte Rio-Niterói. A ex-deputada desconfiava que havia escuta policial na casa, por isso se comunicou por escrita.

A mulher de Wagner Pimenta, Luana Pimenta, afirmou que o pastor Anderson do Carmo era grande defensor de Flordelis. De acordo com Luana, não seria possível alertar o pastor sobre suas desconfianças a respeito das atitudes da ex-deputada, pois "ele jamais acreditaria".

Quinta testemunha a prestar depoimento, Roberta dos Santos, filha adotiva de Flordelis, admitiu ser autora de mensagem enviada no grupo de WhatsApp da família, em que clama por justiça pela morte de Anderson. Ela falou que foi adotada aos três meses de idade e que, quando criança, tinha medo de Flávio Rodrigues por o considerar agressivo.

Após intervalo de 15 minutos, a fase de depoimentos foi retomada, quando foram ouvidas mais duas testemunhas de acusação, o filho adotivo da Flordelis, Alexander Felipe Marques Mendes e o motorista de Uber Daniel Pereira, que levou Lucas Souza e Flávio Rodrigues à comunidade de Nova Holanda, zona norte do Rio, para a compra da arma utilizada no homicídio.

A última testemunha a depor foi Regiane Ramos, ex-chefe de Lucas Souza. Ela foi a única testemunha ouvida pela defesa dele. Todas as demais testemunhas de defesa foram dispensadas pelos advogados dos réus. Com informações da assessoria do TJ-RJ.

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