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Artigo POLÍTICA EXTERNA

SEGUE O BONDE

entra China, sai EUA do maior acordo comercial do mundo

20/11/2020 07h00 Atualizada há 2 semanas
Por: Nayara Negreiros
Foto: Layanne Oliveira/ Jornal do Advogado
Foto: Layanne Oliveira/ Jornal do Advogado

Quando se pensa no “maior acordo comercial do mundo” logo vem à mente a participação de países tradicionalmente liberais e capitalistas. O que o mundo não esperava é que esse acordo está sendo encabeçado pela República Popular da China.

Inicialmente, é necessário frisar que no segundo mandato do ex-Presidente estadunidense, Barack Obama, foi firmado um acordo chamado Pivô para a Ásia-Pacífico, com o ideal de desafogar o Oceano Atlântico, eixo que ligou, por muito tempo, os EUA com a Europa Ocidental, cenário de vários acordos.

Pensando numa nova articulação, os EUA de Obama promoveram o TPP – Parceria Transpacífico (traduzindo para o português), que envolveria países americanos e do sudeste asiático, mas excluiria a China.

Entretanto, com a derrocada dos Democratas em 2016 nas eleições presidenciais americanas, e consequente ascensão de Trump à frente da maior potência mundial, sua primeira medida foi a retirada dos EUA do TPP, com a justificativa de tentar reverter atitudes tomadas por seu antecessor, Barack Obama, e de que o EUA tinham assumido muitas responsabilidades que desequilibrava sua participação no grupo. Embasados no ideal “America first”, Trump se volta para a construção de uma política interna e externa que prioriza os interesses americanos.

Essa medida fez os olhos apertados chineses enxergarem uma oportunidade: cada vez mais, os orientais se aproximaram dos países do TPP, conquistando espaço de destaque, o que foi concretizada com a assinatura do Tratado Parceria Regional Econômica Abrangente, RCEP, virtualmente no Vietnã.

O acordo abrange cerca de 1/3 da população mundial, 1/3 do PIB mundial e 1/3 das trocas comerciais mundiais. 15 países estiveram presentes, à distância, para assinar o tratado, além da China, Japão, Coréia do Sul, Austrália e Nova Zelândia. Vale salientar que a Índia também foi convidada para participar das negociações, entretanto por movimentos internos de oposição desistiu.

Inicialmente, o acordo prevê baixas tarifas de comércio entre os países signatários, além de tratar sobre serviços de telecomunicação e intelectuais, mas não prevê a integração econômica nacional. O objetivo principal, sem dúvida, é conseguir superar a crise provocada pela pandemia do novo coronavírus.

Entretanto, o presidente americano eleito, Joe Biden, já começará sua gestão com grandes desafios: estariam os países do RCEP acordando para uma nova realidade – a de que não dependem da grande potência americana?

Toma lá dá cá

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