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Piauí DESCOBERTA

Pesquisador piauiense descobre ação de substâncias contra microrganismos

A experiência consistiu em produzir extratos das folhas destas plantas que são relativamente comuns, mas que nunca haviam sido estudadas.

22/11/2020 11h22
Por: Lucyanna Kayla
Foto: reprodução/ divulgação
Foto: reprodução/ divulgação

Pesquisa realizada nos laboratórios da Universidade Estadual do Piauí (UESPI), Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí (IFPI), Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) e Universidade do Porto (Portugal) revela a importância de plantas, até agora negligenciadas, para o tratamento contra bactérias e fungos.

A pesquisa do biólogo piauiense André Ricardo Rocha, mestre em Biodiversidade, Ambiente e Saúde pela Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) ganhou as páginas de um dos mais importantes periódicos europeus, a revista Lebensmittel-Wissenschaft & Technologie ou LWT – Food Science and Technology. André pesquisou extratos de duas plantas da família Euphorbiaceae encontradas tanto no Piauí quanto no Maranhão: Croton betaceus e Croton lundianus, e foi orientado pela Profª Drª Eliana Lago, professora do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade, Ambiente e Saúde (PPGBAS) da UEMA. Estas plantas estão entre as espécies da Comunidade de Pioneiras que surgem em diferentes áreas das fisionomias de Cerrado. As que ele usou na experiência foram coletadas nos municípios de Caxias (MA) e Lagoa Alegre (PI).

A experiência consistiu em produzir extratos das folhas destas plantas que são relativamente comuns, mas que nunca haviam sido estudadas. Foram realizados vários testes contra diferentes microrganismos como bactérias comuns no trato digestivo e responsáveis pela sepse e fungos que infestam áreas do trato urogenital, como a temida Candida albicans, micose de controle relativamente complicado.

A. Croton betaceus. B. Croton lundianus. Fonte: Rocha et al. (2020)

A pesquisa com os microrganismos foi iniciada no Laboratório de Microbiologia (LABMICRO), dirigido pela Dra. Francisca Lúcia de Lima, da Universidade Estadual do Piauí. Testes sobre a genotoxidade dos extratos foram feitos no laboratório comandado pela Dra. Francielle Alline Martins, também da UESPI. Os estudos finais foram realizados na Universidade do Porto, em Portugal, onde André fez estágios científicos financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa, Ciência e Tecnologia do Maranhão – FAPEMA.

Os extratos foram muito promissores para o controle de microrganismos como Enterococcus faecalis, Streptococcus mutans, Eikenella corrodens, Lactobacillus acidophilus e Candida albicans.

Neste sentido é muito importante lembrar da importância do financiamento em Ciência e Tecnologia. Com a bolsa da FAPEMA, foi possível o pesquisador passar um período em contato com pesquisadores de ponta de uma das mais importantes instituições da Europa, a Universidade do Porto. A possibilidade de uso da biodiversidade só se realiza com o conhecimento das plantas que a natureza subsidia. Se mais coisas não são descobertas deve-se, principalmente, aos baixos recursos destinados para o financiamento da Ciência e Tecnologia.

O artigo publicado pela LWT – Food Science and Technology contou com a participação de 12 pesquisadores, sendo dois da UEMA, cinco da UESPI, três da Universidade do Porto, um da Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPAR) e um da Universidade de Brasília (UnB), demonstrando a força da cooperação na pesquisa científica.

 

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