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Internacional HOLOCAUSTO

EUA deportam ex-guarda de campo de concentração nazista de 95 anos

O julgamento de Berger mostrou que ele trabalhou como guarda armado no sub-campo de Neuengamme perto de Meppen

22/02/2021 08h18
Por: Redacao
Foto:US Department of Justice
Foto:US Department of Justice

Um morador do estado do Tennessee que foi um guarda num campo de concentração nazista durante a 2ª Guerra Mundial foi deportado para a Alemanha, disse o Departamento de Justiça dos Estados Unidos em nota na última sexta-feira (19). 

Friedrich Karl Berger, um alemão de 95 anos, recebeu a decisão de remoção dos EUA em fevereiro de 2020, quando um juiz de imigração determinou que o "serviço voluntário" dele como guarda de prisioneiros em campos de concentração "configura assistência nos atos de perseguição promovidos pelos nazistas", comunicou o Departamento.

O julgamento de Berger mostrou que ele trabalhou como guarda armado no sub-campo de Neuengamme perto de Meppen, na Alemanha, em 1945. A maior parte dos prisioneiros de lá eram civis russos, holandeses e poloneses, mas também havia judeus, dinamarqueses, franceses, italianos e "oponentes políticos" dos nazistas.

A corte descobriu que Berger admitiu ter feito a guarda dos prisioneiros para impedir a fuga deles e que ele não pediu para ser transferido da tarefa. Adicionalmente, Berger ainda recebe uma pensão da Alemanha pelo trabalho dele, incluindo o "serviço durante a guerra". 

O advogado de Berger se recusou a comentar em nome do cliente dele quando contatado pela CNN no sábado (20). 

Depois do julgamento de 2020, Berger, então com 94 anos, disse ao jornal The Washington Post que a maior parte do caso foi baseada em "mentiras". "Eu tinha 19 anos de idade e fui ordenado a ir lá", disse. Ele também afirmou ter ficado no campo apenas por pouco tempo e negou ter portado uma arma. 

"Depois de 75 anos, isso é ridículo. Eu não consigo acreditar", disse ele. "Eu não consigo entender como isso pode acontecer em um país como esse. Vocês estão me forçando para fora da minha casa". 

Berger morava nos EUA desde 1959.

O procurador-geral interino Monty Wilkinson disse em nota que a deportação de Berger "demonstra o compromisso do Departamento de Justiça e das autoridades parceiras para garantir que os Estados Unidos não seja um lugar seguro para os que participaram nos crimes nazistas contra a humanidade e de outros abusos aos direitos humanos". 

Este ano marca o 75º aniversário da condenação dos nazistas nos Julgamentos de Nuremberg, acrescentou Wilkinson. O caso de Berger "mostra que mesmo a passagem de muitas décadas não imperdirá que o Departamento persiga justiça para as vítimas dos crimes nazistas". 

No julgamento de dois dias de Berger em fevereiro passado, o juiz determinou que os prisioneiros do campo eram mantidos em condições "atrozes" durante o inverno de 1945. Eles eram forçados a trabalhar do lado de fora "ao ponto de exaustão e morte", diz o comunicado do Departamento. 

Os nazistas abandonaram Meppen no fim de março de 1945, quando as tropas canadenses e britânicas avançaram. Berger teria ajudado a guardar os prisioneiros quando eles foram evacuados para o campo principal de Neuengamme. Essa tarefa durou quase duas semanas e cerca de 70 prisioneiros teriam morrido com as "condições desumanas". 

De acordo com o Departamento de Justiça, Berger é o 70º perseguidor nazista a ser removido dos Estados Unidos. 

O diretor interino do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA, Tae Johnson, disse em nota que o caso exemplifica a dedicação dos órgãos na busca por justiça e na "caçada implacável daqueles que participaram de uma das maiores atrocidades da história, não importa quanto tempo leve". 

 

Berger foi deportado dos EUA com base na Emenda Holtzman, dispositivo que proíbe qualquer um que tenha participado na perseguição nazista de morar nos EUA. O Conselho de Apelos Imigratórios manteve a determinação em novembro de 2020. 

Fonte: CNN Brasil

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